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Novidades08 de março de 20267 min de leitura

Regulamentação F-Gas, Protocolo de Kigali e o futuro dos refrigerantes no Brasil

Cronograma de redução dos HFC, impactos no Brasil, refrigerantes naturais e HFOs em ascensão. O guia estratégico para quem decide sobre equipamentos com vida útil de 15+ anos.

Aviso técnico. As informações deste artigo são orientativas. A especificação final deve considerar projeto, norma aplicável, fluido refrigerante, pressão de trabalho e condições reais de operação. Consulte a equipe técnica da AWS Refrigeração antes de definir componentes.

A Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal, ratificada pelo Brasil em 2022 (Decreto 11.204), estabelece cronograma obrigatório de redução do consumo de HFCs até 2045. Combinado com o regulamento europeu F-Gas (2024) e políticas EPA nos Estados Unidos, define o quadro global que direciona os investimentos em refrigerantes pelas próximas duas décadas.

O que é o Protocolo de Kigali

Kigali é o acordo internacional que insere os HFCs (hidrofluorcarbonos) no controle do Protocolo de Montreal — que originalmente tratava só de substâncias que destroem a camada de ozônio. Embora os HFCs tenham ODP zero, seu impacto climático (GWP) é centenas a milhares de vezes maior que o CO₂, e eles representam a fração de crescimento mais rápido de gases de efeito estufa.

GWP (Potencial de aquecimento global) dos principais refrigerantes
R-22 (HCFC)
1810
R-410A (HFC)
2088
R-134a (HFC)
1430
R-32 (HFC)
675
R-454B (HFO)
466
R-1234yf (HFO)
4
R-717 (Amônia)
0
R-744 (CO₂)
1

Fonte: IPCC AR5 100-yr GWP. Menor é melhor. Refrigerantes naturais (CO₂, amônia) apresentam GWP próximo de zero.

Cronograma brasileiro (país Grupo A2)

PeríodoMeta de consumo (base 2020-2022)
2024Congelamento — base line fixada
2029-10%
2035-30%
2040-50%
2045-80%

O IBAMA é o órgão executor, com cotas anuais de importação/produção redistribuídas conforme o cronograma. Fabricantes e importadores já estão sob controle desde 2024 e o repasse aos preços de mercado começou em 2025.

F-Gas europeu: espelho do que virá

O Regulamento (UE) 2024/573 impôs banimento total de HFCs com GWP > 2.500 em novos equipamentos comerciais desde 2020 e adicionou proibições escalonadas até 2050. O efeito prático foi acelerar a adoção de CO₂ e propano em toda a Europa Ocidental. A tendência histórica mostra que restrições europeias antecipam em 5 – 10 anos o comportamento do mercado brasileiro.

Alternativas de baixo GWP

  • R-32 (GWP 675, A2L): substituto natural do R-410A em splits e VRF.
  • R-454B (GWP 466, A2L): principal candidato a substituir R-410A em chillers.
  • R-513A / R-1234ze (GWP 631 / 6, A1): retrofit de R-134a em chillers centrífugos.
  • R-290 propano (GWP 3, A3): plug-in comercial, bombas de calor pequenas.
  • R-717 amônia (GWP 0, B2L): industrial de grande porte.
  • R-744 CO₂ (GWP 1, A1): supermercados, bombas de calor de alta temperatura.

O que fazer hoje

  1. 1Inventariar carga total de HFCs por planta e por refrigerante.
  2. 2Estimar demanda anual de reposição e verificar disponibilidade de longo prazo.
  3. 3Priorizar retrofits que reduzem GWP com payback ≤ 5 anos.
  4. 4Especificar novos projetos com refrigerantes A1 de baixo GWP ou naturais.
  5. 5Treinar equipes de manutenção em A2L (R-32, R-454B) e A3 (R-290).
  6. 6Documentar emissões evitadas — reduz custo de compliance ESG.
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